Maior mobilização indígena do Brasil acontece esse mês.

Atualizado: 22 de Abr de 2019

O "acampamento terra livre" acontece em Brasília dos dias 24 ao dia 26 e deve mobilizar mais de 10mil indios.

Imagem do Acampamento Terra Livre 2018

As histórias de muita luta e algumas vitórias marcam a trajetória das tribos indígenas brasileiras. Hoje, eles continuam batalhando para garantir seu espaço. Querem ser reconhecidos como cidadãos brasileiros e com os mesmos direitos, como acesso à educação e à saúde. Querem também continuar a ser lembrados pela sua resistência e como os primeiros moradores do Brasil.

Indígenas de mais de 100 povos ao redor do Brasil se juntam em Braspilia e pedem melhorias e unificam lutas em defesa dos direitos das tribos. O evento é uma tentativa de unificar reivindicações de diferentes aspectos políticos e sociais.

Logo no primeiro dia após o ato de posse, o presidente Jair Bolsonaro editou a MP 870, cuja medida desmonta a FUNAI, órgão responsável pela política indigenista do Estado brasileiro, transferindo o mesmo, do Ministério da Justiça para o recém criado Ministério da Mulher, Família e DireitosHumanos, comandado pela Ministra Damares Alves. Essa mesma medida retirou as atribuições de demarcação de terras indígenas e licenciamento ambiental nas Terras indígenas da FUNAI e entregou para a Secretaria de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento- MAPA, sob comando da bancada ruralista. Daí seguiu-se uma série de ataques e invasões articuladas contra as terras indígenas, perseguição e expressão de racismo e intolerância aos nossos povos originários. Por último o anúncio do Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, acirrou ainda mais o desmonte, quando anunciou mudanças no atendimento à saúde indígena, objetivando a municipalização, numa clara intenção de desmontar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI), levando a extinção do subsistema de saúde indígena, uma conquista histórica e resultado de muitas lutas do movimento indígena.

Foto: Fabio Mendes Teixeira

OS REPRESENTANTES DESSA LUTA


Para preservar a tradição frente a tantas mudanças e influências, os pataxós ensinam sobre as conquistas do povo para as crianças. Em entrevista ao Jornal Brasiliense em 2018 pai de quatro filhos, Xohã disse que busca mostrar o valor da cultura indígena para seus curumins (crianças).

“Tudo que conquistamos foi por intermédio da nossa cultura, se a gente deixar de lado e adquirir a cultura do não índio, isso vai acabar nos enfraquecendo”, ressalta.

O índio da tribo Guarani M’byá, no Acre, Daniel Iberê, 32 anos, tem “nome de branco”, como se descreve, mas seu maior orgulho é ser índio e lutar pelos direitos dos demais. Ele diz que seu povo conseguiu manter o modo de ser mesmo após 500 anos de convivência com o homem branco, não perderam o estilo de vida. “Nossas raízes são profundas, passa vento, leva as folhas, mas ela permanece intacta”, diz Daniel, com sorriso no rosto.

Para manter as tradições a tribo, os m’byá se unem em cantorias e ensinam costumes ancestrais para as crianças, contando sobre os territórios e passagens da história do povo.


Foto: Fabio Mendes Teixeira

“A maior tradição é nosso modo de ser guarani, como a gente pisa simples na terra, o nosso caminhar. Acreditamos que quanto mais a gente caminha, menos a gente acumula, menos a gente possui e podemos andar com o coração tranquilo”, explica.

Daniel ressalta que nem sempre essas caminhadas são tranquilas, pois muitos trajetos estão interditados por causa de fazendas e hidrelétricas.

Emocionado, o indígena conta que o maior medo do seu povo é de ser covarde, medo de ter o que dividir e não querer dividir, medo de saber o que o parente precisa e não ajudar.

“Medo de bala, medo de chumbo a gente não tem. Temos medo de não manter viva a nossa solidariedade, de nos tornarmos egoístas. Temos medo da poluição, de querer tomar banho e não ter água limpa, porque está tudo poluído”, imagina.

Para o futuro ele espera mais direitos para os índios, acesso à saúde e a um território demarcado, onde possam caminhar e plantar nas terras.

“Quero um futuro onde os parentes não sejam assassinados, onde não morram com 20 anos, por causa de uma doença que tinha cura, mas não tínhamos acesso ao tratamento. Espero não chorar pelos que se foram por conta de coisas que poderiam ter sido evitadas”, conclui.


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Fontes: http://amazonia.org.br/2018/04/conheca-as-historias-de-indigenas-acampados-por-mais-direitos-em-brasilia/ , https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/2018/04/26/documento-final-do-acampamento-terra-livre-2018-o-nosso-clamor-contra-o-genocidio-dos-nossos-povos/#jp-carousel-802 , https://www.cese.org.br/acampamento-terra-livre-2019/



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